domingo, 24 de junho de 2012



Quando eu entrei no Culto à Ciência coisas diferentes começaram a acontecer na minha vida, conheci pessoas e fiz novas amizades. Foi nessa escola que também conheci minha melhor amiga, uma amizade que dura até hoje, mas essa história vai ficar para depois.
Foi no Culto à Ciência que comecei a me dar conta que chamava a atenção dos meninos. Comecei a perceber que as mudanças no meu corpo eram a grande responsável por aquele sucesso. Eu passei a ser notada e admirada por eles, principalmente de costas, se é que vocês me entendem.
Durante toda minha juventude e boa parte da idade adulta pude sentir os olhares masculinos me seguindo depois que eu passava e devo confessar: tenho saudade daquela sensação. Foi nesta fase que aprendi mais uma lição sobre homens e mulheres que iria ser exaustivamente reforçada nos anos que viriam: a felicidade de uma mulher está diretamente ligada ao tamanho e a forma da bunda que ela tem; isto é, quanto maior e mais redonda a bunda mais feliz ela será. Percebi também que uma mulher com uma bela bunda só ficará sozinha se quiser. Já as mulheres “sem bunda” apresentam uma tendência maior à solidão e à amargura; estão sempre sofrendo de amor, ou de raiva por invejarem as bundudas. Não sei se por ingenuidade ou por deformação no senso de observação, essas mulheres sem bunda sempre fazem a clássica pergunta: “o que ela tem que eu não tenho”? Ora, amiga. Como assim? Bunda!
Se além da bunda essa mulher tiver cabelos compridos, que cheguem abaixo das omoplatas, aí ela será endeusada pelos homens, e vou além: se ela tiver tudo isso e ainda for loira, acabou amiga, não tem pra mais ninguém; ela será objeto da fantasia de noventa e nove por cento da espécie masculina.
Mas menino é um ser no mínimo curioso. Eles querem a atenção das meninas e pra isso, têm o comportamento mais reprovável diante delas. Escolhem um repertório de graça absolutamente sem graça e esperam que elas riam; pulam, gritam e  gargalham esperando que aquilo atraia a atenção delas, são desagradáveis, mal educados, fogem do banho, mas querem o carinho, a admiração e a atenção das meninas e pior, alguns gostam de contar vantagens sobre paqueras e casos amorosos que jamais tiveram com aquelas meninas.
Pois bem, isso aconteceu comigo, fui vítima deste tipo de calúnia aos doze anos de idade. Na minha classe do ginásio também estudava um japonesinho fortinho, que sentava a algumas fileiras atrás de mim. Eu, como ainda fazia com a maioria dos meninos, o desprezava completamente, mas ele fazia de tudo pra chamar minha atenção. Quando mais ele se expunha, mais conquistava minha indiferença.
Eu não sei que “karma” era esse meu: todos aos garotos que eu elegia secretamente como os mais bobos, encasquetavam que queriam me namorar e pior, levavam essa obsessão durante muito tempo. Mais curioso ainda é que na maioria das vezes eu nem havia percebido a presença dessas criaturas. Era esse o caso, eu mal tinha notado a presença daquele japonês na minha sala, mas ele já espalhara para toda a escola que nós estávamos namorando.
Eu, indiferente, desavisada e distraída no meu mundinho infanto-juvenil, até percebia o cochicho dos meninos quando passava, mas ainda não tinha atinado que aquele japonês safado estava divulgando inverdades sobre minha pequena, e até então, pura pessoa.  Eu, na minha tola e pretensiosa imaginação, estava sendo olhada pelos meninos porque era bela e porque tinha um bom bundão, apenas isso, nada mais. Quanto mais eles me olhavam mais eu me enchia dessa tola vaidade. 
Quando a notícia do falso namoro chegou até mim precisei me esforçar para identificar de quem minhas amigas falavam, uma vez que ainda não tinha notado aquele japonês atrás de mim. Quando finalmente identifiquei a pessoa; ou seja, o desprezível japa, uma revolta teem se apoderou rapidamente de todo meu ser. Eu não podia admitir que o menino continuasse com aquela mentira.
Aquele japonês infame foi o primeiro canalha que encontrei na vida e eu tinha que me defender dele, não podia deixar que tal mentira durasse nem mais um segundo, o suposto namoro já tinha ido longe demais e eu tinha que reagir imediatamente.
Aguardei o intervalo maior entre as aulas e quando todos os alunos se reuniram para tomar o lanche, fui até a cantina e avistei aquele japonês 171, acompanhado de seus comparsas. Eu também estava acompanhada de minha amiga Cristiana, que me incentivava e quem havia me contado sobre o boato. Aproximei-me dele e disse tudo que uma mulher de doze anos sabe dizer para deixar um homem de doze anos constrangido e envergonhado.
Feito isso, o japa passou a ser motivo de chacota entre seus colegas de escola. Eu não sabia, mas o problema com aquele indivíduo estava só começando.
Eu também não sabia, mas por coincidência, aquele ser nipônico morava perto da minha casa, freqüentava o mesmo clube que eu e meu irmão freqüentávamos e passeava de bicicleta pelas ruas do meu bairro, incluindo a rua da minha casa, então, era apenas uma questão de tempo para que nos encontrássemos outras vezes e em outras circunstâncias; eu só não esperava que fosse tão rápido.
Meu irmão ia diariamente ao clube, pois fazia parte do time de basquete, esporte que seguiu treinando até os vinte e um anos, o que deixava meu pai orgulhoso, uma vez que ele havia sido jogador de futebol e dava muito valor aos esportes.
Certa tarde, depois do treino de basquete, meu irmão comentou comigo sobre um japonês que o perturbara. Ele dizia: “vou ter de pegar aquele japonês na porrada”
Meu irmão não era de briga, até então, e dizia aquilo meio aborrecido, pois não gostava muito de confrontos, ele estava no início de sua vida de macho alfa, mais tarde ele iria perceber que no mundo dos machos, quem não bate, apanha e claro que ele aprendeu muito bem a bater.
Confesso que não me dei conta da coincidência, nunca poderia imaginar que o mesmo japonês que me atormentava com mentiras de namoro no colégio, também incomodava meu irmão no clube, até que numa tarde, meu irmão saiu de bicicleta para dar uma volta pelo bairro, ele foi até o clube, encontrou com os amigos e quando voltava para casa, foi perseguido por aquele nipônico safado e mau caráter, que num ato covarde, se aproveitou da distração de meu irmão derrubando-o da bicicleta para poder agredi-lo no chão. Eu estava na varanda da minha casa e pude ver toda a cena de covardia que se apresentava bem ali na minha frente; devo dizer que meu irmão era três anos mais novo que o japa, o que deixava a covardia ainda mais evidente.
Naquela hora, não sei o que deu em mim, fui tomada por uma fúria que poucas vezes senti na vida, só sei que quando me dei conta, eu também estava derrubando o japonês de sua bicicleta e em seguida, desferindo uma seqüência de socos naquele indivíduo.
Tenho que confessar que poucas coisas na vida me deram tanto prazer.
Bater naquele japa era muito bom, naquele momento eu tinha pás de razões para acabar com a graça e com os dentes daquele serzinho, que claramente não tinha a menor noção de ética.
Poder defender meu irmão também me deu muita alegria, pois eu sempre fui louca por ele embora, naquela época, eu ainda não confessasse esse tipo de sentimento, especialmente para um irmão mais novo.
Naquele dia, o japonês apanhou por tudo, pelas mentiras que contou sobre mim, pelo empurrão que deu no meu irmão e por todas as coisas erradas que certamente iria fazer na vida.
Bater no nipo, como já disse, foi muito bom, mas nada se comparava a alegria de vê-lo desmoralizado no colégio, no bairro e no clube, afinal, para os meninos daquela idade, nada poderia ser mais humilhante que apanhar de uma menina.
A notícia da surra que o japa levou de uma menina se espalhou rapidamente pelo clube, pelo bairro e pelo colégio. A partir daí ele ficou quietinho e acuado durante um bom tempo e quando ele passava por mim, eu fazia questão de lançar o “olhar de poucos amigos”, que aprendi com minha mãe.
 Aquele japonês era baixinho, mas bem fortinho e até hoje não sei como consegui espancá-lo. Não sei se fui movida pela indignação da mentira, que na minha tola concepção colocava minha moral em dúvida, não sei se fui movida pelo senso de proteção e pelo amor ao irmão mais novo ou pelo sentimento de repúdio à covardia da atitude daquele menino. Não importa, o fato é que bati nele e nunca me arrependi disso, pelo contrário, ainda hoje tenho a sensação de que deveria ter batido mais naquele nipônico.
Depois disso, mais um laço de união se fazia entre mim e meu irmão, que até hoje se lembra e comenta esse fato.
Com o passar do tempo, os laços entre nós foram se fortalecendo cada vez mais e estão  fortemente atados até hoje. 

2 comentários:

  1. adoro seus posts... uma graça, marta kkkkk... vc, também... não era nada fácil!!!!
    lucyla

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